Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos

Quando se esta em Londres é que realmente percebemos o
quanto Shakespeare é “Magico”. Antes disso, lendo sua obra,
vendo filmes, tudo parece difícil, confuso, mas mesmo assim
nos é encantador .

Em uma aventura pela Londres Shakespeariana, o
primeiro lugar que somos levados é o Globe Theatre, e
ali somos “Transportados” pela magia que o ambiente
(fielmente reproduzido da época em que Shakespeare
viveu) nos apresenta, para alguns séculos atrás.
Podemos ver escrituras, figurinos e cenários, além do teatro
Elisabetano (todo de madeira, sem cadeiras no centro) onde
pessoas se amontoavam para ver as peças do dramaturgo.
Só isso já seria uma emoção inegualável, para alguém que
só havia visto e lido sua obra em uma língua estrangeira,
mas ali podemos ver também suas peças encenadas por
atores, que cresceram lendo e respirando Shakespeare.
Dessa forma, podemos dizer – o que é verdade – que é muito
difícil entender o inglês arcaico, mas mesmo assim, é uma
experiência que nos leva a uma catarse espontânea.
Ouvir “To be or not to Be”, é no mínimo arrebatador.

Após sair do coma causado por aquele ambiente, podemos
andar a beira do rio Thames, e imaginar que por ali pessoas
da época Elisabetana, caminhavam em ruas de barro, ou em
seus cavalos e charretes, e tudo que vimos dentro do Globe
Teatre faz ainda mais sentido.

Outro dia, em um teatro pequeno, mas moderno, se pode ver
um cartaz que nos convida para ver Romeu e Julieta.
A peça é encenada por atores muito jovens. Além do cenário
e figurinos contemporâneos, os atores declamam os versos
sofridos da tragédia, com um inglês da mesma forma
contemporâneo. Nos sentimos como se estivemos vendo um
filme de amor, que por alguns instantes nos faz esquecer
de como é difícil a linguagem de Shakespeare. Isso somente
me parece possível, para atores como esses que dominam o
texto original de tal forma a poderem variar, brincar com as
possibilidades de se encenar o gênio do teatro.

Chegamos ao National Theatre, onde estava sendo
apresentada, não no palco principal, Twelfh Nigth (Noite de
Reis). A principio pode se pensar que é apenas mais uma
peça de Shakespeare, encenada por um companhia teatral
novata.

No entanto, quando lemos no programa alguns nomes
que fazem parte do elenco, tudo começa a mudar. Nomes
como Simon Callow e Rebecca Hall, nos fazem ter maior
interesse pela apresentação, por serem atores que
vemos frequentemente em filmes de Hollywood. Porem a
maior surpresa está quando lemos o nome do diretor da
comédia, Peter Hall. Ao saber quem é Peter Hall é que se
começa a entender realmente o que está por vir. Confesso
que não tinha a menor noção do tamanho que o diretor
representa para a história das encenções de Shakespeare.

Desde 1954, Peter vive para levar as obras do autor aos
palcos londrinos e do mundo.

Quando a peça começa, vemos um cenário composto por
apenas dois biombos e algumas almofadas espalhadas
pelo pequeno palco. Assim que se acende um foco de luz
na boca de cena, um ator começa a declamar os famosos
versos.

Depois disso, a unica coisa que lembro e de ter sido
levado pelas palavras que saiam da boca daqueles
atores – alguns seguramente com mais de oitenta
anos de estudos de Sakespeare – para um estado de
encantamento que jamais havia sentido dentro de um
teatro Naquele momento, tudo ficou mais facil e prazeroso
quando eu penso em Shakespeare.

“O homem que não tem a música dentro de si
e que não se emociona com um concerto de
doces acordes é capaz de traições, de conjuras
e de rapinas”

Willian Shakespeare

Por: Walter Cereja

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