Marisa Orth em dia de filósofa feminista

Antes mesmo do início de O inferno sou eu, em cartaz no Teatro Jaraguá de 22 de janeiro até 25 de abril, o programa da peça anunciava que o primeiro contato de Marisa Orth com a obra de Simone de Beauvoir havia sido através dos estudos de sua mãe, uma grande fã da filósofa francesa. “A geração dela foi muito inspirada pela Simone”, comenta a atriz que encarou o papel como uma forma de homenagear sua mãe, falecida no último ano.

Ao toque das campainhas, as luzes se acendem no palco e o que vimos foi uma bela atuação de Marisa Orth e Paula Weinfeld criada pelo encontro inusitado entre a personalidade francesa e uma simpática admiradora, a brasileira Dorinha. O texto é de Juliana Rosenthal e contou com a direção de José Rubens Siqueira.

Um ícone do feminismo e mulher do existencialista Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e seu marido ficaram três meses no Brasil em 1960. Sendo, que seus últimos dias no país foram passados no Recife, pano de fundo da peça. Simone ainda se curava de tifo, que contraíra na Amazônia. O casal francês se hospeda na casa de Marta, por quem Sartre se apaixona. Marta, então, contrata Dorinha, uma estudante de Letras e grande fã da francesa para cuidar de Simone.

Se o enredo prevê um drama, o choque entre personagens é bem mais suave e divertido na realidade. O encontro tem a leveza de uma conversa entre duas amigas. Simone é forte e independente. Mas, está mal humorada pela saudade de seu amante e a distância da França. Já Dorinha é sonhadora e apaixonada por seu namorado.

Após três meses de preparação, Marisa Orth explicou as dificuldades para construir a personagem. “O mais difícil é o começo, porque ela [Simone] é mais chata, mais amarga. É difícil fazer uma francesa, porque é uma pessoa mais contida do que eu sou. Por isso na hora do derramamento pra mim é mais fácil”.

Com humor e bons toques de filosofia a peça consegue ser ao mesmo tempo divertida e reflexiva sobre a condição das mulheres, a fidelidade e a verdadeira felicidade. Com boas atuações de personagens carismáticas, O inferno sou eu tem ingredientes suficientes para agradar o público.

Tiago Alcantara, do ClickCultural

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